Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 17
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 17

“(…) um bicho da terra tão pequeno?”
(…) Oh! Grandes e gravíssimos perigos,
Oh! Caminho da vida nunca certo,
Que, aonde a gente põe sua esperança,
Tenha a vida tão pouca segurança!
No mar, tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra, tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
Luís de Camões, “Os Lusíadas”, I, 105-106
A narração n’”Os Lusíadas” principia com a armada de Vasco da Gama a meio da viagem (“in medias res”), já a chegar à Ilha de Moçambique, onde faz escala para se abastecer.
A partir daqui, assiste-se a um conjunto de atribulações, com ciladas, falsidades e traições que quase deitam tudo a perder, não fora a intervenção de Vénus.
Na Ilha de Moçambique, o chefe local, quando verifica, inspirado por Baco, que os Portugueses são cristãos, resolve destruí-los. E Gama, depois de ter sido atacado, traiçoeiramente, é enganado e recebe a bordo um piloto, com ordens para levar a armada a cair numa cilada.
Ao aproximarem-se da perigosa zona de Quíloa, Vénus afasta-os da costa por meio de “ventos contrários”, anulando, assim, a traição. O piloto mouro ainda faz outras tentativas, mas Vénus está atenta e impede que isso aconteça. A viagem continua para Norte e chegam à cidade de Mombaça, cujo rei fora avisado por Baco para os exterminar.
Face a tantas traições e a tantos perigos – ciladas, hostilidade disfarçada que ilude e alimenta esperanças –, o poeta não resiste a uma reflexão.
Termina o primeiro canto com uma consideração sobre a imprevisibilidade e a insegurança da vida e a fragilidade da condição do ser humano, “um bicho da terra tão pequeno”…, exposto a todos os perigos e incertezas e vítima indefesa do “Céu sereno” (I, 106).
Os perigos espreitam o ser humano (o herói), tão pequeno diante das forças da natureza, do poder da guerra e dos traiçoeiros enganos dos inimigos. Estamos no início da epopeia. Ver-se-á, no último canto, o décimo, até onde a ousadia, a coragem e o desejo de ir sempre mais além podem levar o “bicho da terra tão pequeno”…
Curiosamente, Camões repete este verso emblemático na canção “Junto de um seco, fero e estéril monte”, em que o sujeito poético reflete sobre a sua própria condição:
(…) Somente o Céu severo,
As Estrelas e o Fado sempre fero,
Com meu perpétuo dano se recreiam,
Mostrando-se potentes e indignados
Contra um corpo terreno,
Bicho da terra vil e tão pequeno. (…)
Quase cinco séculos passados, Camões continua intemporal, vivo e inspirador na análise da condição humana, na sua insegurança, fragilidade e contingência.
No século XVI e nos dias de hoje, Camões embarca Engenho e Arte!
A Organização
O Céu dos Lusíadas: Uma Viagem Interdisciplinar Entre Ciência e Literatura
O Céu dos Lusíadas: Uma Viagem Interdisciplinar Entre Ciência e Literatura
No passado dia 29 de janeiro, os alunos das turmas do 9.º ano do Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca participaram na atividade "O Céu dos Lusíadas", uma iniciativa pedagógica que decorreu no Centro de Criatividade Himalaya, em Arcos de Valdevez. Esta ação integrou as comemorações dos 500 anos de Luís de Camões e proporcionou uma experiência única, unindo ciência e literatura.
A atividade contou com a participação das turmas 9.ºA, 9.ºB, 9.ºC, 9.ºD e 9.ºE.
Esta iniciativa visou explorar a obra de Camões através de uma abordagem criativa e científica, permitindo aos alunos refletir sobre a atualidade dos seus escritos e o impacto cultural das Descobertas Portuguesas. A interligação entre literatura e ciência incentivou o desenvolvimento de competências críticas, promovendo um olhar inovador sobre o legado camoniano.
O Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca agradece ao Centro de Criatividade Himalaya pela receção e aos docentes envolvidos na dinamização desta experiência enriquecedora. O entusiasmo e envolvimento dos alunos demonstram a importância de iniciativas que cruzam diferentes áreas do conhecimento, tornando a aprendizagem mais dinâmica e significativa.
Encontro de ginástica acrobática
Encontro de ginástica acrobática
No dia 29 de janeiro, com uma tempestade de granizo e trovoada, o grupo de desporto escolar, ginástica acrobática, deslocou-se até Braga, para a realização do segundo encontro gímnico.
A prova teve início às 15.00h e terminou pelas 18.00h, com a atuação de diferentes atletas das modalidades de trampolins e ginástica acrobática, de quatro escolas do distrito de Braga e duas do distrito de Viana do Castelo. A nossa escola teve a participação de 15 atletas de ginástica acrobática e 2 juízes do nível avançado, com excelentes participações, tendo obtido 2º e 3º lugares, em pares avançados femininos. Parabéns a todas as participantes.
As professoras,
Fernanda Branco e Mafalda Cardoso
Parlamento dos Jovens
Parlamento dos Jovens
O programa Parlamento dos Jovens, uma iniciativa promovida pela Assembleia da República, voltou a ganhar vida na Escola Secundária de Ponte da Barca. Este ano, os alunos foram desafiados a refletir, debater e propor medidas no âmbito do tema “Novas Tecnologias – Oportunidades e desafios para os jovens”.
Feito o balanço da primeira fase de implementação do programa, destaca-se a participação ativa e o entusiasmo revelados pelos alunos envolvidos neste processo. As cinco listas candidatas – três no 3.º ciclo e duas no ensino secundário – assumiram com grande responsabilidade e civismo todo o processo de organização das respetivas campanhas, de apresentação e de defesa das medidas propostas.
O ato eleitoral decorreu de uma forma exemplar, tendo votado 65% dos alunos do ensino básico e 57% dos alunos do ensino secundário. Posteriormente, foram realizadas as sessões escolares que decorreram no dia 15 de janeiro (ensino secundário) e 22 de janeiro (ensino básico). Nestas sessões, foi possível assistir a debates calorosos, onde alunos assumiram o papel de deputados, apresentaram e defenderam as suas medidas, votaram nas melhores propostas e elegeram os seus representantes para as sessões distritais. Os deputados que representarão a nossa Escola pelo ensino básico são os alunos Rui Leitão (9.ºC), Beatriz Ribeiro (9ºB) e Carolina Silva (9.ºB). O ensino secundário será representado pela Mariana Viana (11.ºC), Francisco Ribeiro (10.ºA ) e Mariana Tani (11.ºC).
As sessões distritais terão lugar em Viana do Castelo, a 31 de fevereiro e 1 de março, e culminarão na sessão nacional a ser realizada na Assembleia da República, em Lisboa.
Desejamos boa sorte aos nossos representantes!
A equipa responsável pelo programa Parlamento dos Jovens
Cantar as Janeiras
Cantar as Janeiras
No passado dia 23 de janeiro, os alunos do pré escolar, 1º e 2º ciclos da Escola Diogo Bernardes, realizaram o tradicional “Cantar as Janeiras” nos Paços do Concelho do Município e na Escola Sede do Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca.
Esta atividade foi promovida pelo grupo de Educação Musical juntamente com os departamentos do Pré Escolar e Primeiro Ciclo, tendo como principal objetivo de manter viva esta tradição local e aproveitando o momento para desejar um Bom Ano às Comunidades Escolar e Local.
Como habitual, alunos, professores e assistentes operacionais participaram com dedicação e muito entusiasmo, estando todos de parabéns!
Bom Ano para todos.
Os professores de Ed. Musical
Daniela Pereira e Paulo Franco
Escola Básica de Entre Ambos os Rios - Cantar as Janeiras
Escola Básica de Entre Ambos os Rios - Cantar as Janeiras
A Escola Básica de Entre Ambos os Rios gosta de cumprir tradições e cantar as Janeiras é uma delas, que realizamos com bastante emoção. Escolheram a segunda semana, mais propriamente o dia 17 de janeiro para alegrar as ruas à volta da nossa escola.
Cantando uma canção tradicional, adaptada, fomos de porta em porta a desejar um bom ano às famílias e instituições. Em troca, recebemos pequenas oferendas, como doces e até dinheiro, e que nos vai ajudar a realizar uma atividade.
A música das Janeiras era bastante alegre e festiva, e expressou votos de saúde, prosperidade e felicidade para todos que nos ouviram. Estes são os votos de todos nós para toda a comunidade.
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 16
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 16

“O fogo que na branda cera ardia”
O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.
Como de dois ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.
Ditosa aquela flama, que se atreve
Apagar seus ardores e tormentos
Na vista do que o mundo tremer deve!
Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela neve
Que queima corações e pensamentos.
Luís de Camões
Este soneto de Luís de Camões retrata o ardor do amor, comparando-o ao fogo que consome a cera.
O eu lírico expressa o desejo de “alcançar a luz que vence o dia”, num jogo semântico que explora “o fogo que na branda cera ardia” e a intensidade do “outro fogo do desejo”, que consome a sua alma.
Acontece que a inspiração para o poema resulta de um incidente do quotidiano. D. Guiomar de Blasfé, filha de D. Francisco Coutinho, o futuro 3.º Conde do Redondo, queimou os cabelos ao aproximar-se, descuidadamente, de uma vela ou, segundo uma outra versão, foi queimada no rosto por uma vela caída de um candelabro.
Camões dedicou ao acidente dois poemas célebres pelo seu tom humorístico, em que exalta a beleza da dama, “tão ardente e perigosa quanto a chama da vela”.
Para além do soneto, o outro poema é uma cantiga, em que o Poeta, face ao mote “Amor, que todos ofende, / teve, Senhora, por gosto, / que sentisse o vosso rosto / o que nas almas acende.”, escreveu a seguinte volta:
“Aquele rosto que traz
o mundo todo abrasado,
se foi da flama tocado,
foi porque sinta o que faz.
Bem sei que Amor se lhe rende;
Porém o seu prosuposto
Foi sentir o vosso rosto
O que nas almas acende.”
Não é difícil de imaginar o ambiente dos serões palacianos em que este tipo de poesia terá surgido. Nas palavras de Isabel Rio Novo, trata-se, de facto, “de poesias ligeiras ou de circunstância, que, tanto pelo estilo como pelas alusões que encerram, não seriam compreendidas fora desse meio ou não teriam interesse senão para os seus frequentadores.”
Poucos dias depois do aniversário do Poeta, que ocorreu no passado dia 23 de janeiro, celebramos o Camões da juventude. Camões a espalhar “Engenho e Arte” e humor pelos salões dos palácios de famílias importantes…
A Organização
Fontes:
Luís de Camões, “Obras Completas de Luís Vaz de Camões. II Volume – Lírica”, Lisboa, E-Primatur, 2019, pp. 170 e 99.
Isabel Rio Novo, “Fortuna, Caso, Tempo e Sorte – Biografia de Luís Vaz de Camões”, Lisboa, Contraponto, 2024, p. 101.
Justino Mendes de Almeida, “O Humor Camoniano: Aspectos psicológicos na poesia de Camões”, disponível em https://repositorio.ual.pt/server/api/core/bitstreams/aa2b098b-4501-477b-a54e-0df15b7c3570/content, acedido em 24.01.2025.
Camões celebra o seu 501.° aniversário
Camões celebra o seu 501.° aniversário
Os alunos dos 11.º A, B e C participaram ativamente na festa de aniversário do nosso poeta nacional, Luís Vaz de Camões, no dia 23 de janeiro.
Declamaram com entusiasmo diversos poemas de Camões, demonstrando a atualidade e a força das palavras do poeta.
O ponto alto foi quando sopraram as velas do bolo de aniversário, num gesto simbólico que marcou a celebração da vida e obra de Luís de Camões.
A festa foi, sem dúvida, um tributo vibrante e tocante ao génio literário que continua a inspirar gerações.
Professora Fátima Marques
Corta Mato Escolar - fase: Distrital
Corta Mato Escolar - fase: Distrital
No dia 16 de janeiro, os meninos do 5.º Ano da Escola Básica Diogo Bernardes, participaram no corta-mato distrital, em Caminha.
Ao todo foram 12 alunos do 5.º Ano.
Após chegarem a Caminha, os atletas dirigiram-se aos balneários para se equiparem. Quando estavam prontos, dirigiram-se para a zona de aquecimento.
Começaram primeiro os Infantis A femininos, o que resultou numa medalha de ouro, conquistada pela Matilde Sousa. Ainda assim conquistaram o terceiro lugar por equipas.
Após as raparigas terminarem a corrida, os infantis A masculinos dirigiram-se para a linha de partida. Quando terminaram foram desequipar e esperaram que os outros acabassem as provas. No final foram para o autocarro e voltaram para a escola.
Texto elaborado pelos alunos do 5.ºD
(F. Coelho; Matilde Simão; F. Gomes; Rúben e Vicente Rodrigues)

Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 15
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 15

Camões: Embarca Engenho e Arte – “O dia em que nasci moura e pereça”
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o sol padeça.
A luz lhe falte, o céu se lhe escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o Mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
Luís de Camões, “Lírica” (fixação de texto de Hernâni Cidade), Lisboa, Círculo de Leitores, 1980, p. 244.
Neste soneto, o sujeito poético amaldiçoa o dia em que nasceu e deseja que jamais se repita; mas, se, porventura, tal suceder, faz votos de que fique marcado por acontecimentos catastróficos, de cariz apocalíptico, para que todos saibam que esse “dia deitou ao Mundo a vida / Mais desgraçada que jamais se viu!”.
Num registo autobiográfico, profundamente disfórico, sobressaem os sentimentos de desesperança total e até de revolta, face à desilusão, à frustração, à dor profunda do poeta, parafraseando, para o efeito, as lamentações do texto bíblico do “Livro de Job”.
Apesar de a autoria camoniana do soneto não reunir o consenso, apetece, imediatamente, estabelecer uma associação entre o Camões-sujeito e o Camões-objeto da sua poesia, trazendo à memória a vida turbulenta e sombria que a “fortuna” lhe ofereceu.
São as suas atribulações amorosas, os degredos em Ceuta e no Oriente, os ferimentos em combate e a perda do olho direito, os diversos cativeiros, os perigos dos mares e da guerra, a miséria sempre omnipresente, a falta de reconhecimento, o desalento, a doença e, mesmo no final da vida, o golpe existencial de Alcácer Quibir e o consequente domínio filipino, com a apagada e vil tristeza a abater-se sobre a nação e sobre ele próprio.
Mas este poema suscita outras questões no domínio da astronomia, a ponto de investigadores da área concluírem, partindo do soneto, que Camões terá nascido, precisamente, a 23 de janeiro de 1524.
Na primeira quadra, escreve o sujeito poético que o dia em que nasceu não deverá voltar mais ao mundo, mas, se isso acontecer, “eclipse nesse passo o Sol padeça”. Por outras palavras, que tal suceda, quando o sol regressar ao ponto inicial, depois de percorrer toda a eclíptica, e ele completar um ano de idade.
Esta pista levou investigadores da Universidade de Coimbra a aprofundarem uma ideia defendida, em 1940, por Mário Saa. Meteram mãos à obra e procuraram todos os eclipses visíveis em Portugal, em 1524 e 1525. Consultando os dados da agência espacial norte-americana NASA, a equipa apenas encontrou um nesse período, a 23 de janeiro de 1525. Reforçaram, então, a ideia de o poeta terá nascido um ano antes, ou seja, a 23 de janeiro de 1524, já lá vão 501 anos.
Sendo assim, na próxima quinta-feira, brindemos com Luís de Camões.
São os 501 anos deste génio do Engenho e Arte!
A Organização
Fonte: Filipa Almeida Mendes e Lusa, “Um soneto e um eclipse solar indicam a data de nascimento de Camões”, in “Público”, 12 de janeiro de 2024. Disponível em https://www.publico.pt/2024/01/12/ciencia/noticia/soneto-eclipse-solar-indicam-data-nascimento-camoes-2076646, acedido em 15/01/2025.

































