Férias de Natal - Cartaz de Atividades
Férias de Natal
Cartaz de Atividades
Inscrições abertas até dia 6 de dezembro
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“Kiko e a Mão”: “Aqui ninguém toca!”
“Kiko e a Mão”: “Aqui ninguém toca!”
O livro “Kiko e a Mão” esteve no centro de uma conversa que mobilizou as turmas do 4.º ano das Escolas Básicas de Entre Ambos-os-Rios, de Crasto e Diogo Bernardes.
Dinamizadas por Inês Portocarrero Araújo, da Biblioteca Municipal de Ponte da Barca, as sessões aconteceram no âmbito da celebração do Dia Europeu da Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual, que, desde 2015, se assinala a 18 de novembro.
O livro “Kiko e a Mão” é uma publicação do Conselho da Europa e foi criado propositadamente para explicar aos mais novos, de forma simples, a regra “Aqui ninguém toca!”, a fim de que possam perceber a diferença entre o contacto físico bom e o contacto físico mau.
O trabalho – que possibilitou um diálogo saudável com as crianças sobre o assunto – foi uma iniciativa da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Ponte da Barca com a colaboração da Biblioteca Municipal, em articulação com a Biblioteca Escolar e o Departamento do 1.º Ciclo.
Biblioteca Escolar
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 9
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 9

Camões: Embarca Engenho e Arte – “Descalça vai pera a fonte”
Descalça vai pera a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.
Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamalote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa, e não segura.
Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa, e não segura.
Luís de Camões, Lírica, fixação de texto de Hernâni Cidade, Lisboa, Círculo de Leitores, 1980, p. 128.
Neste vilancete, o sujeito poético descreve Lianor, num ambiente rural, a caminho da fonte, onde vai buscar água…, e não só!
Ela é uma jovem frágil, delicada e formosa, com graciosidade e pureza interior, mas insegura: “Vai fermosa, e não segura.” Esta ideia constitui, aliás, o refrão, repetido no final de cada estrofe.
Por um lado, valoriza-se a beleza física de Lianor, num retrato idealizado à maneira clássica, em que sobressai a pele branca e os cabelos louros, qualidades realçadas com as metáforas "mãos de prata" – "mais branca que a neve pura" – e "cabelos de ouro entrançado":
“(…) Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura."
E, para acentuar a beleza, o sujeito poético recorre a cores contrastantes: branco – símbolo de pureza e de inocência –, vermelho – que remete para a força, a vida, a sensualidade – e também à prata e ao ouro, que sugerem brilho, luminosidade, importância, perfeição.
Mas, para além da exaltação da beleza física e também espiritual de Lianor, surge a referência à sua posição social humilde e ainda, sobretudo, à sua insegurança, porque ela vai à fonte, não apenas para buscar água, mas para se encontrar, às escondidas, com o seu namorado.
Os elementos bucólicos presentes neste vilancete, escrito em redondilha maior, a medida velha de versos com sete sílabas, bem como a conceção da mulher e do amor, colocam o poema de Camões na linha da poesia trovadoresca medieval.
Sobressai a conceção platónica do amor, assim como uma visão idealizada e estereotipada da mulher, com os cabelos da cor do ouro e as mãos da cor da prata.
Em pleno século XXI, estes códigos de beleza continuam válidos em algumas situações. Mas, em muitos outros contextos, são bem diferentes os atuais padrões de beleza femininos difundidos até à exaustão, a ponto de, por vezes, causarem profundo impacto negativo, em termos de saúde física e mental…
Enfim, tal como conversámos na última semana, “(…) mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Sugerimos a escuta do vilancete “Descalça vai pera a fonte”, interpretado pela soprano Ana Madalena Moreira, acompanhada ao piano por Lucjan Luc…
A Organização
25 de novembro de 1975
25 de novembro de 1975
O Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca lembra mais uma vez a importância dos 50 anos do 25 de abril, a “Revolução dos Cravos” e a Liberdade de Expressão, celebrada e vivida na comunidade escolar. Na concretização do Plano Cultural de Escola e em parceria com a Câmara Municipal celebramos o dia 25 de novembro em simultâneo, relembrando a crise que sucedeu nesse dia em 1975, os militares ligados à extrema esquerda tomam pontos estratégicos e o país entra em estado de sítio. Sendo uma tentativa falhada de golpe militar, essa “movimentação militar conduzida por partes das Forças Armadas Portuguesas, resultou mais tarde no fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e num processo de estabilização da democracia representativa em Portugal.”
O Chaimite, um dos símbolos importantes de toda esta revolução, marca presença no centro da vila, para reforçar esta data e envolver toda a comunidade no trabalho que foi realizado na escola, com a colaboração do funcionário João Madama e dos professores José Félix e Julieta Mendes.
"OPINIÕES DE SEGUNDA" - "O desafio da leitura entre os jovens"
"OPINIÕES DE SEGUNDA" - "O desafio da leitura entre os jovens"
DIA NACIONAL DA CULTURA CIENTÍFICA - 24 DE NOVEMBRO
DIA NACIONAL DA CULTURA CIENTÍFICA - 24 DE NOVEMBRO
O Dia Nacional da Cultura Científica foi criado em 1996, mais precisamente em 24 de novembro, de forma a evocar a data de nascimento de Rómulo de Carvalho, professor de Física e Química responsável pela promoção do ensino de ciência e da cultura científica em Portugal. Paralelamente, Rómulo de Carvalho foi também poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão.
O grupo disciplinar de Física e Química do Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca aproveitou a efeméride para divulgar a compilação do "Aqui há Ciência", em formato ebook, rubrica publicada semanalmente ao longo do ano letivo anterior. A primeira publicação semanal, “Aqui há Ciência”, foi divulgada precisamente há um ano, inspirada no poema de António Gedeão Lágrima de Preta.
Na azáfama de todos os dias passsamos por inumeras coisas que se parássemos um pouco para pensar nelas, não deixariam de nos parecer incrivelmente misteriosas...
"Aqui há Ciência" explica o que está por trás dos interessantes enigmas com que nos deparamos no nosso quotidiano:
Eu e a Filosofia
Eu e a Filosofia
A minha relação com a Filosofia começou com uma boa dose de frustração. A matéria parecia um verdadeiro enigma sem solução, era como se me tivessem entregado o mapa do tesouro, mas sem a bússola. A Filosofia parecia estar num plano inatingível, fora do meu alcance. Contudo, à medida que o ano foi passando percebi que não se tratava apenas de decorar conceitos, mas sim de aprender a questionar, refletir e desafiar o que damos como garantido.
Ao longo do tempo, comecei a compreender que a Filosofia é uma viagem pelo pensamento humano, uma forma de explorar não só as grandes questões da humanidade, mas também as pequenas dúvidas que surgem no nosso dia a dia. Este processo de descoberta ajudou-me a desenvolver um maior apreço pela Filosofia. Aprendi que não é necessário encontrar sempre uma resposta definitiva, mas sim ter a coragem de continuar a perguntar.
Hoje, reconheço a sua importância. A Filosofia não só nos ajuda a compreender melhor o mundo e as nossas ações, como também nos dá as ferramentas para sermos mais conscientes e mais reflexivos. Se, no início, parecia uma matéria distante e incompreensível, agora vejo-a como uma aliada essencial na construção do meu pensamento e na forma como vejo o mundo.
Carlota Martins, 12.º A.
Dia Mundial da Filosofia - 21 de novembro de 2024
Dia Mundial da Filosofia
21 de novembro de 2024
Informações-Prova 2024/2025
Informações-Prova 2024/2025
Já se encontram publicadas as Informações-Prova (Informação-Prova Geral e Informações-Prova Específicas) das provas de avaliação externa a realizar no ano letivo 2024/2025.
Consulte-as acedendo à Informação-Prova Geral – republicada a 19 de novembro.
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 8
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 8

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões, Lírica, fixação de texto de Hernâni Cidade, Lisboa, Círculo de Leitores, 1980, p. 164.
Neste soneto, o sujeito poético reflete sobre a mudança, um tópico frequente na Renascença, evocando a máxima clássica “tempus fugit” – “o tempo voa”.
Porventura influenciado por um dos grandes filósofos gregos, Heráclito, que defendia que tudo é movimento e está em constante evolução, o eu lírico assinala, ao longo do poema, várias transformações, seja no mundo, seja nas pessoas e nele próprio, nos sentimentos, vontades e interesses:
"(…) mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
“No entanto, se as mudanças na Natureza (no seu processo de renovação) assumem um sentido positivo, o mesmo não acontece com as alterações de pendor negativo na vida do sujeito lírico.” Daí que demonstre, no final do soneto, “o seu mais sincero espanto por já não se conseguir reconhecer no que vai mudando, uma vez que até a própria mudança está a modificar-se.”
Face ao carácter inexorável da passagem do Tempo e da efemeridade da vida, “tirania” a que ninguém escapa, resta a memória, uma memória triste, pessimista e amarga de saudade do passado.
“Desta forma, podemos dizer que a tónica do soneto se prende com demonstrar a/o instabilidade/ desconcerto do mundo, ou seja, esclarecer que, enquanto as mudanças da natureza assumem uma tendência previsível (por exemplo, as estações do ano), as mudanças vividas pelas pessoas, além de, muitas vezes, não serem antecipáveis, estão invariavelmente associadas à passagem do tempo” e ao seu carácter imprevisível.
O sujeito poético vive, assim, um estado emocional de conflito, de desagregação, de profunda tristeza e mágoa, provocado, precisamente, “pela ideia de que o universo é dominado pelos paradoxos e pela mudança, que espoletam uma perplexidade e um labirinto interior (sem rumo).”
“Pessimista e atónito para com a sua realidade – que não compreende –, sente-se completamente ludibriado pelo destino e pela fatalidade (fatum). (…) Ou seja, a mudança mais surpreendente é a de que já não se muda como era costume, isto é, verifica a mudança da própria mudança.” (Tiago Ferreira, “’Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’, de Luís de Camões”, in https://obarrete.com/2020/06/26/mudam-se-as-vontades-luis-de-camoes/, acedido em 15/11/2024).
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” é o título do primeiro álbum de originais de José Mário Branco, editado em 1971, em França, durante os anos de exílio do cantautor.
Vamos ouvir a canção “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, à qual foi apenas acrescentado o refrão “E se todo o mundo é composto de mudança/ troquemos-lhe as voltas, que inda o dia é uma criança.”
A Organização














