Visita de Estudo a Conímbriga/Mosteiros
Visita de Estudo a Conímbriga/Mosteiros
Nos dias 8 e 9 de maio, os alunos do 10.º ano, turma B e C, Curso Científico Humanísticos de Ciências Económicas; Línguas e Humanidades e Artes Visuais, realizaram, em parceria com os alunos do Curso Científico Humanístico de Línguas e Humanidades e de Artes Visuais, do Agrupamento de Valdevez, uma visita de estudo. As razões justificativas desta visita prenderam-se, sobretudo, com a possibilidade de os alunos poderem contactar com as realidades estudadas e assim alicerçar as aprendizagens adquiridas na escola com a observação in loco e de consolidar a necessidade de preservar o património cultural. Neste pressuposto, partimos da Escola Secundária, já na companhia dos alunos e professoras de Arcos de Valdevez, e fizemos a primeira paragem em Condeixa-a-Nova para visitarmos as ruínas da cidade romana de Conímbriga e respetivo museu, cujo acervo é exclusivamente composto pelos materiais arqueológicos aí recolhidos. Prosseguimos viagem, rumo ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, onde, de uma forma muito didática e apelativa, os alunos fizeram uma viagem no tempo até 1385, através de um espetáculo multimédia, num espaço interior, complementada por um percurso no exterior, no campo de batalha, esclarecedor relativamente à vitória do exército português face ao gigantesco exército castelhano e que garantiu a nossa independência. Prosseguimos viagem e terminamos a jornada com um belo passeio, no fim da tarde, nos Passadiços da Baía de S. Martinho do Porto onde foi possível observar uma das mais belas paisagens do litoral português. O dia seguinte, foi dedicado aos mosteiros, de Alcobaça e o de Santa Maria da Vitória, Batalha, onde foi possível reconhecer os mosteiros medievais como espaços de autossuficiência, como centro de conhecimento e de cultura, identificando os diferentes espaços funcionais, e, sobretudo, onde foi possível apreciar duas joias artísticas do estilo gótico.
Finda a visita, ficou a sensação do dever cumprido: o contacto com realidades conhecidas, apenas na sala de aula, terá contribuído para uma maior consciencialização, da parte dos alunos, da relevância do aprendido, ampliando o seu conhecimento, integrando os saberes das diferentes disciplinas dando sentido à conceção do saber como um todo. Experiências como esta contribuem para uma formação mais completa e significativa, preconizada no Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória.
As professoras responsáveis
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 32
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 32

“Camões: Embarca Engenho e Arte”: Erros meus, má fortuna, amor ardente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas, que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
Luís Vaz de Camões, “Lírica Completa II”, prefácio e notas de Maria de Lurdes Saraiva, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1980, p. 164.
Num registo autobiográfico, o sujeito poético faz o balanço do seu percurso de vida, assinalando as causas da sua perdição: os erros que cometeu, o destino infeliz, que o perseguiu, e o amor intenso, que o desgraçou.
Segundo confessa, “Errei todo o discurso de meus anos”, assim justificando que a “Fortuna” tenha sido tão pouco generosa consigo. Mas, para que não restem dúvidas, garante que bastaria o amor, por si só, para a sua perdição. Uma perdição tão atroz e irremediável, que o impede de ter qualquer tipo de esperança, no presente…: “A não querer já nunca ser contente”.
Numa primeira leitura, apetece afirmar que estamos perante o tópico clássico do amor como origem da desventura pessoal. Acontece que este testemunho intenso sobre o amor, de que o sujeito poético só viu “breves enganos”, convoca-nos para uma abordagem mais alargada. E aqui encontramos uma dimensão nova, profundamente pessoal e sofrida.
De facto, “o conjunto de poemas de Camões que abordam o tema da morte física ou psicológica do amor é demasiado vasto para que os possamos considerar meros exercícios de estilo, imitação convencional de modelos consagrados ou encomendas de outrem. Petrarca e os poemas petrarquistas – continua Isabel Rio Novo – influenciaram-no, seguramente; todavia, enquanto a poesia do italiano transmite uma impressão de serenidade, a de Camões está perpassada de agitações, impulsos, impaciências, contradições, que não advêm do sentimento do amor em si, mas antes das circunstâncias que o rodeiam: desigualdades sociais, afastamento, ausência, saudade, ciúme, remorso”.
Quer dizer, neste soneto sobejamente conhecido parece estar todo o drama emocional, existencial do Poeta, resultante do amor impossível – porque desigual… – que o perseguiu ao longo da vida e que esteve na origem de mil e uma desventuras, desde a prisão ao desterro.
Este tom fortemente disfórico, de profundo extremismo no balanço da existência, remete-nos para um outro soneto, igualmente sombrio, em que fala do início da sua vida:
(…) O dia em que nasci moura e pereça, (…)
(…) Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
Camões partiria no dia 10 de junho de 1580, já lá vão 445 anos. Morreu amargurado pela doença e pela miséria.
Morreu…, mas deixou-nos uma obra notável que vale uma literatura e que o afirmou como o símbolo maior da identidade nacional e da união do mundo da lusofonia.
É no dia da sua partida que celebramos quem somos. É a 10 de junho que comemoramos o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.
Um bom dia para celebrar Camões, na voz de Amália Rodrigues! “Erros meus”, um tema do álbum “Fado Português”…
Fonte: Isabel Rio Novo, “Fortuna, Caso, Tempo e Sorte – Biografia de Luís Vaz de Camões”, Lisboa, Contraponto, 2024, pp. 133 e 586-587.
A Organização
Legenda da imagem: Cópia de Luís de Resende do retrato de Camões pintado por Fernão Gomes, ainda em vida do Poeta. O original perdeu-se.
LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) EM QUILLING
LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580) EM QUILLING
Trabalho realizado por alunos do 3.º ciclo do Ensino Básico, sob a coordenação da Professora Julieta Mendes, no âmbito das comemorações do V centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões.
Com a colaboração do professor José Carlos Sousa, participaram ainda a turma do 12.º B do Curso de Artes Visuais e os discentes do 12.º D (Curso Profissional de Técnico de Multimédia).
Conhecido como filigrana de papel, o quilling é uma técnica de arte visualmente deslumbrante pela elegância do pormenor, pelo que esta peça representa uma homenagem à força da inspiração e ao génio criativo de Luís de Camões, num encontro que abraça o Oriente.
Este trabalho encontra-se afixado na Escola Básica de Diogo Bernardes.
Conteúdos educativos digitais de preparação para os exames nacionais
Conteúdos educativos digitais de preparação para os exames nacionais
Como preparação para os exames nacionais, a plataforma estudoautonomo.dge.mec.pt disponibiliza mais 3 conteúdos educativos digitais de fácil consulta e disponíveis para download gratuito.
Aceder a estes conteúdos:
Fonte: https://www.dge.mec.pt/noticias/em-contagem-decrescente-para-os-exames-nacionais
Informação aos Encarregados de Educação/Alunos - Provas e Exames 2025
Informação aos Encarregados de Educação/Alunos - Provas e Exames 2025
Dando cumprimento ao estipulado no n.º 6.11 da Norma 02 JNE/2025
"6.11. O diretor da escola deve comunicar atempadamente, pelos meios usuais e que julgue ser mais eficazes, aos encarregados de educação ou aos alunos, quando maiores, a necessidade de estes não serem portadores de telemóveis, smartwatchs, ou outro equipamento proibido, no dia de realização das provas e exames, tendo em conta a possibilidade de, inadvertidamente, se esquecerem destes equipamentos na sua posse durante a realização das provas e exames, o que, obrigatoriamente, implicará a sua anulação. Esta informação deve também ser afixada em local bem visível da escola, bem como ser transmitida pelos respetivos diretores de turma a todos os alunos que realizam provas e exames."
Resumo da Norma 02/JNE/2025 - Ensino Básico
Resumo da Norma 02/JNE/2025 - Ensino Básico
Resumo da Norma 02/JNE/2025 - Ensino Secundário
Resumo da Norma 02/JNE/2025 - Ensino Secundário
Preparação para o futuro
Preparação para o futuro

No dia 2 de junho de 2025 realizou-se, no auditório da Escola Secundária de Ponte da Barca, uma sessão de esclarecimento promovida pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), dirigida aos alunos do 12.º ano de escolaridade.
A sessão foi dinamizada pela palestrante Dra. Catarina Costa, representante do IPVC, que apresentou a oferta formativa da referida instituição, com destaque para os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) e para as Licenciaturas, ambos ministrados nas várias Escolas Superiores do Politécnico. Além disso, foram também prestados esclarecimentos sobre o processo de candidatura ao ensino superior – concurso nacional, concursos especiais, entre outros –, bem como sobre bolsas e apoios disponíveis.
Foram distribuídos dois folhetos informativos aos presentes na sessão, um com a oferta formativa e outro com informação relativa às bolsas e apoios.
Esta sessão foi proporcionada pelo Serviço de Psicologia e Orientação, constituindo uma oportunidade valiosa para os alunos esclarecerem dúvidas e refletirem sobre o seu percurso académico e profissional.
Serviço de Psicologia e Orientação
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 31
Camões: Embarca Engenho e Arte – Edição 31

“Camões: Embarca Engenho e Arte” – As lágrimas de Inês
(…) Passada esta tão próspera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana Terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste e dino da memória,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha.
(…) Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
(…) Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria,
Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co sangue só da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Luís de Camões, “Os Lusíadas”, III, 118, 120, 122-123.
A história do amor de Inês e Pedro é, sem dúvida, uma das mais comoventes e conhecidas da literatura portuguesa, inspirando o longo e belo episódio de Inês de Castro, no canto III d’”Os Lusíadas”.
Dois jovens, que se amam profunda e incondicionalmente, são vítimas de questões políticas, caindo numa tragédia em que o ódio, a vingança e a morte destroem a sua felicidade.
Face às recomendações dos conselheiros e à pressão do povo, D. Afonso IV, temendo que a relação de Inês com o príncipe D. Pedro, herdeiro do trono, pudesse acarretar perigo para o reino, resolve cortar o mal pela raiz: a bela fidalga galega é condenada à morte!
Quando Inês toma conhecimento desta decisão, vai ter com o rei, rodeada dos filhos, e suplica clemência, por se considerar inocente. Em desespero, implora ao monarca que comute a pena por um degredo.
Preocupa-a, acima de tudo, os filhos, “que tão queridos tinha e tão mimosos, / cuja orfandade como mãe temia” (III, 125), e, então, pede a D. Afonso IV: “A estas crianças tem respeito” (III, 127).
Tudo em vão! A execução de Inês de Castro aconteceu a 7 de janeiro de 1355, em Coimbra.
Anos depois, D. Pedro, já rei de Portugal, declarou que havia casado clandestinamente com Inês, uns tempos antes da sua morte. E foi mais longe… Promoveu o trasladação do seu corpo do mosteiro de Santa Clara de Coimbra para o mosteiro de Alcobaça. E, na estátua do túmulo de Inês, impôs-lhe a coroa.
Quando faleceu, foi sepultado junto da sua amada, a “mísera e mesquinha / Que despois de ser morta foi Rainha”. Os seus túmulos são duas verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal.
Neste episódio d’”Os Lusíadas”, Camões mostra Inês como o símbolo do protesto contra o autoritarismo do poder real e os mandamentos da Igreja, assumindo os riscos da liberdade, qual cordeiro angélico e inocente levado ao sacrifício, numa gesta que conduz à coroação do amor que assume a morte e, por isso, se projeta na eternidade.
O amor trágico de Inês e de Pedro, nomeadamente, a versão recriada por Camões, alimentou o imaginário popular, num misto de factos, lenda e mito, transformando-se numa história intemporal, que atraiu e inspirou, ao longo dos séculos, grande número de poetas, escritores e outros artistas de várias nacionalidades, da música ao bailado, da escultura à pintura e ao cinema.
Vamos ouvir a história de Pedro e Inês na voz de Maria de Vasconcelos. A canção, da sua autoria, chama-se “Sempre (D. Pedro e D. Inês)” e faz parte do álbum “As canções da Maria – Especial História de Portugal”.
A Organização










