“Fernão de Magalhães: 500 anos da viagem”

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Sexta, 20 setembro 2019 Escrito por jrocha

“Fernão de Magalhães: 500 anos da viagem”

    

O Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca assinala os cinco séculos do início da viagem de Fernão de Magalhães com uma exposição no polivalente da Escola Secundária.

A mostra pode ser visitada até ao próximo dia 30 de setembro e tem por base trabalhos realizados pelos alunos do 8.º ano, no âmbito da disciplina de História, no ano letivo 2014/2015.

 

Património de Magalhães

Há cinco séculos, no dia 20 de setembro de 1519, Fernão de Magalhães ousou fazer-se ao mar com o objetivo de chegar às Molucas, a famosa ilha das especiarias, navegando para Ocidente.

Ao lançar-se na aventura da organização e do comando da expedição marítima que partiu de Sanlúcar de Barrameda, estava a ser o mentor de uma odisseia sem precedentes que alterou, para sempre, os limites do conhecimento e redesenhou o “mapa mundi” que ainda hoje usamos.

A grandeza do seu feito ofereceu-lhe o prémio da imortalidade. O nome do navegador ficou para a posteridade escrito com letras de ouro nos anais da História.

É o artífice heroico daquela que foi considerada a primeira viagem de circum-navegação e um dos primeiros homens a dar a volta ao mundo, considerando a sua passagem por terras do Oriente, entre 1505 e 1513, ao serviço de Portugal.

Nesta epopeia, seria o primeiro a alcançar (e a designar) a Terra do Fogo, no extremo sul do continente americano, o primeiro a atravessar o estreito que une o Atlântico e o Pacífico, e que ficaria com o seu nome, o primeiro a cruzar este oceano, que ele próprio nomeou como tal.

Descobriu pinguins tão diferentes, que passaram a chamar-se pinguim Magalhães. Aportou a uma nova terra a que deu o nome de Patagónia, habitada por nativos gigantes, de pés enormes, os Patagões.

E o seu apelido mantém-se vivo em designações como o Estreito de Magalhães, as nuvens de Magalhães, as crateras lunares de Magalhães e as crateras marcianas de Magalhães. A Região de Magalhães ou Antártida Chilena, a Universidade de Magalhães (UMAG), em Punta Arenas, no Chile. E ainda o sistema GPS Magalhães, a sonda espacial da NASA Magellan, fundos de investimento internacionais, programas de computador, projetos de inovação.

Estes são apenas alguns sinais da notável herança que a aventura de Fernão de Magalhães representa, algumas marcas do património de um dos maiores navegadores de todos os tempos, considerado uma das figuras mais influentes do segundo milénio.

Tal como há 500 anos, “Magalhães” continua a ser sinónimo de vanguarda, de arrojo, de empreendorismo, de ação, de inovação, de interculturalidade, de abertura, de excelência.

 

Donde vem “Magalhães”?

Provavelmente de origem celta (do termo “magal”, que significa “grande” ou “grandioso”), o apelido “Magalhães” tem raízes toponímicas, pois a família que deu origem a esta linhagem começou por habitar a chamada Torre de Magalhães, na freguesia de São Martinho do Paço Vedro de Magalhães, na então Terra da Nóbrega, atual concelho de Ponte da Barca.

Nascido por volta de 1480, a questão da sua naturalidade continua em aberto, com Sabrosa, Porto e Ponte da Barca a serem referidas como as localidades mais prováveis.

Nas palavras do catedrático Avelino da Costa, vale a pena recordar que, “se o seu nascimento na Terra da Nóbrega não é certo, é, todavia, provável. E é absolutamente certo que ele pertencia à família dos Magalhães, senhores da Terra da Nóbrega, e que manteve amistosas relações com esta família, mesmo depois de já estar fora de Portugal ao serviço de Espanha”.

Na mesma linha de pensamento vão outros historiadores prestigiados, tais como Queirós Veloso e António Baião. Este último, na sua intervenção na Academia de Ciências de Lisboa, na sessão solene de 27 de abril de 1921, para comemorar o IV centenário da morte do navegador, defendeu, precisamente, a sua naturalidade barquense, terminando o discurso da forma mais eloquente:

“[…] Terra da Nóbrega, Ribeira Lima, sob as tuas uveiras frondosas se acoitou por certo o herói Fernão de Magalhães, ou sob as tuas carvalheiras gigantescas e umbrosas. Sem par é o verde que atapeta as tuas montanhas, como sem par é o azul do céu que elas recortam. A mesma brisa fagueira, coada pelos teus pinhais, que veio a afinar a lira soidosa de Bernardes, retemperou a fibra de aço do primeiro circum-navegador do globo. Dos teus blocos de granito foi talhado por perito alvenel a sua rijeza de ânimo e o seu carácter inquebrantável […]”.

Mais importante, porém, do que a sua naturalidade é o impacto do seu feito. E, a este nível, Fernão (…de Magalhães) é uma figura com dimensão planetária, um vulto da Humanidade, um património inesgotável. Que importa conhecer e valorizar!

 

Prof. Luís Arezes (Biblioteca Escolar)

 


 

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